Algoritmos e tijolos: como o Big Data está substituindo o “feeling” na hora de escolher onde investir

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Sabe aquele “faro” de corretor das antigas, que entrava em um bairro, sentia o vento e sentenciava: “isso aqui vai valorizar porque sinto o cheiro do progresso”? Pois é. Esse romantismo do mercado imobiliário, embora ainda tenha seu charme, está perdendo a briga feia para as planilhas e o cruzamento massivo de dados. Se antes a gente dependia da intuição de quem vivia na região há 30 anos, hoje a gente depende de algoritmos que sabem, antes de todo mundo, para onde a mancha urbana está se movendo. Na prática, o que chamamos de Big Data no setor imobiliário nada mais é do que parar de chutar e começar a mirar. Investir em imóveis sempre foi visto como um porto seguro, mas a segurança vinha de um esforço hercúleo de pesquisa manual. Você visitava dez lançamentos imobiliários, conversava com vizinhos, olhava o plano diretor da cidade e rezava para que a nova avenida realmente saísse do papel. Hoje, o jogo mudou. Imagine que você está de olho em um apartamento na planta. Em vez de apenas acreditar na promessa do folder, plataformas de análise de dados conseguem cruzar informações de tráfego de pedestres, proximidade com polos de emprego, histórico de valorização de bairros vizinhos e até a intenção de compra de pessoas que pesquisam no Google por termos específicos naquela região. É como ter uma bola de cristal alimentada por estatística real. Um exemplo que vi acontecer recentemente ilustra bem isso. Um grupo de investidores estava ignorando solenemente um bairro periférico, com prédios antigos e infraestrutura capenga. O “feeling” geral era de que a região estava estagnada. No entanto, os dados de geolocalização mostraram um aumento de 40% na circulação de jovens profissionais entre 25 e 35 anos durante os finais de semana. O que estava acontecendo? O bairro vizinho, já consolidado e caro, estava “transbordando” público para essa área mais barata em busca de lazer. Quem leu os dados, comprou imóveis residenciais pequenos ali por um preço de banana.

https://mundodoimovel.com.br/imoveis/venda/chacara/comercial-residencial/todos-os-bairros/piracicaba

Dois anos depois, com a abertura de novos cafés e coworkings, o valor do metro quadrado saltou. O dado viu o movimento antes do primeiro tijolo de reforma ser colocado. Mas onde ficam as imobiliárias e os corretores de imóveis nesse cenário tecnológico? Engana-se quem pensa que o profissional vai ser substituído por um robô. O que acontece é uma filtragem. O corretor moderno usa a tecnologia para validar sua tese. Ele não te vende apenas um “imóvel bonito”; ele te apresenta uma análise de viabilidade. Ele usa ferramentas de avaliação de imóveis que comparam preços reais de fechamento — e não apenas os preços de anúncio, que muitas vezes estão inflados pela expectativa do vendedor. Para quem está do outro lado, querendo vender ou alugar, o impacto é direto no bolso. O home staging, por exemplo, que é aquela preparação visual do imóvel para fotos, agora é orientado por dados de retenção de cliques. Sabemos quais ângulos e quais tipos de acabamento geram mais contatos qualificados. O marketing imobiliário deixou de ser um anúncio de jornal para se tornar uma engenharia de precisão. Se você está pensando em entrar no mercado agora, seja para o primeiro imóvel ou para diversificar o patrimônio, a dica de ouro é: questione o “eu acho”. Busque entender a curva de valorização imobiliária da região nos últimos cinco anos. Analise o estoque de imóveis novos versus a demanda de locação. Verifique se o zoneamento permite novos empreendimentos que podem bloquear sua vista ou, pelo contrário, trazer comércio valorizado.