O custo da negligência: as consequências sistêmicas de uma inflamação gengival negligenciada

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Lembro-me de um paciente, o Marcos, que chegou ao consultório com uma queixa curiosa: ele não sentia dor nos dentes, mas a gengiva sangrava toda vez que passava o fio dental. Ele me disse, com um sorriso sem graça, que simplesmente parou de usar o fio para evitar o incômodo e o sangue na pia. O que ele não sabia, naquele momento, é que ao ignorar aquele pequeno sinal, ele estava abrindo uma porta perigosa para algo muito maior do que apenas uma gengivite localizada. A gengiva é a sentinela do nosso organismo. Quando ela sangra, ela está gritando por socorro, avisando que existe uma colônia de bactérias instalada ali, protegida pelo tártaro que a escova sozinha não alcança.

O problema começa quando tratamos essa inflamação como algo passageiro. A boca não é uma ilha isolada; ela é a entrada de todo o nosso sistema. O efeito dominó da periodontite Quando a gengivite evolui para uma periodontite, o cenário muda drasticamente. Não se trata mais apenas de uma inflamação superficial, mas de uma destruição silenciosa dos tecidos que sustentam os dentes. As bactérias ali presentes não ficam limitadas à cavidade oral. Elas conseguem migrar para a corrente sanguínea, navegando pelo corpo e causando inflamações sistêmicas em órgãos distantes. Já atendi casos em que pacientes com problemas cardíacos severos tinham a saúde bucal completamente esquecida.

A ciência hoje é clara: a inflamação crônica na gengiva está diretamente ligada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como a endocardite bacteriana. É como se o corpo estivesse em constante estado de alerta, lutando contra uma invasão bacteriana que começou por uma negligência simples com o fio dental e terminou afetando a saúde do coração. https://odontonapolis.com.br/como-e-feito-canal-no-dente-entenda-o-processo-e-etapas-do-tratamento-endodontico/